Thursday, May 25, 2006

Consciência do Dever
O fato de médicos e hospitais de vários municípios do Rio Grande do Sul terem se recusado a fazer o abortamento em uma adolescente de 14 anos, apesar da autorização judicial que trazia consigo, foi manchete nas mídias.
Segundo as notícias, a jovem disse que sua gravidez foi fruto de estupro e obteve do Juiz a permissão para realizar o aborto, isentando médicos e hospitais que se dispusessem a eliminar a vida que pulsava em seu ventre.
Embora o Juiz tenha autorizado o aborto, não lhe caberia o direito de obrigar ninguém a realizar o feito, pois nem sempre a legalidade de um ato o torna moral.
O que vale ressaltar na atitude desses médicos é a consciência do dever. O dever assumido, perante si mesmos, de defender a vida.
“O dever é a obrigação moral da criatura para consigo mesma, primeiro, e, em seguida, para com os outros.”
Ao concluírem o curso os médicos fazem um juramento, o mesmo juramento feito por Hipócrates, um sábio grego que viveu no século v antes de cristo, e é considerado o pai da medicina.
O juramento diz o seguinte:
"Eu, solenemente, juro consagrar minha vida a serviço da humanidade. Darei como reconhecimento a meus mestres, meu respeito e minha gratidão. Praticarei a minha profissão com consciência e dignidade."
"A saúde dos meus pacientes será a minha primeira preocupação. Respeitarei os segredos a mim confiados."
"Manterei, a todo custo, no máximo possível, a honra e a tradição da profissão médica. Meus colegas serão meus irmãos."
"Não permitirei que concepções religiosas, nacionais, raciais, partidárias ou sociais intervenham entre meu dever e meus pacientes."
"Manterei o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção."
"Mesmo sob ameaça, não usarei meu conhecimento médico em princípios contrários às leis da natureza."
"Faço estas promessas, solene e livremente, pela minha própria honra."
Ao fazer tal juramento, o médico passa a ter um dever moral consigo mesmo. E, se o violar, estará ferindo a própria consciência.
Ao se comprometer com esse ideal, o médico também estabelece o dever para com os outros, que é o segundo passo do dever ético-moral.
Lamentável é que muitos desses homens e mulheres que juraram, solene e livremente, que manteriam o mais alto respeito pela vida humana, desde sua concepção, usem seus conhecimentos médicos para eliminar a vida que pulsa no santuário do ventre materno.
Por outro lado, é admirável a coragem e a honra desses homens e mulheres que não se permitem sujar as mãos com sangue inocente, mesmo sob qualquer pressão.
Isso porque sabem que, se agirem em desacordo com o juramento feito por livre vontade, não terão como se olhar no espelho da consciência e enxergar um cidadão honrado.
...............
O dever é a lei da vida. Com ele deparamos nas mais ínfimas particularidades, como nos atos mais elevados.
Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de cumprir-se, por se achar em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Não têm testemunhas as suas vitórias e não estão sujeitas à repressão suas derrotas.
O dever principia, para cada um de nós, exatamente no ponto em que ameaça a felicidade ou a tranqüilidade do nosso próximo; acaba no limite que não desejamos ninguém transponha com relação a nós.
O dever é o mais belo laurel da razão; descende desta como de sua mãe o filho.
O homem tem de amar o dever, não porque preserve de males a vida, males aos quais a humanidade não pode subtrair-se, mas porque confere à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
O dever cresce e irradia sob mais elevada forma, em cada um dos estágios superiores da humanidade.
Jamais cessa a obrigação moral da criatura para com Deus. Tem esta de refletir as virtudes do eterno, que não aceita esboços imperfeitos, porque quer que a beleza da sua obra resplandeça a seus próprios olhos.

Como anda nossa consciência do dever?
Abraços,
Leo

Ah, atendendo a pedidos, em breve, texto meu por aqui.

Thursday, May 18, 2006

Tempestades da Vida
Há noites muito escuras em que o vento violento e ruidoso traz a tempestade inclemente.
Os trovões e os relâmpagos invadem a madrugada como se fossem durar para sempre.
Não há como ignorar os sentimentos que tomam de assalto nossos frágeis corações.
O medo e a incerteza tiram nosso sono, e passamos minutos infindáveis, imaginando o pior, temerosos de que o céu possa, de um momento para o outro, cair sobre nossas cabeças.
Sem, no entanto, qualquer aviso, o vento vai se acalmando, as gotas de chuva começam a cair com menos violência e o silêncio volta a imperar na noite.
Adormecemos sem nos dar conta do final da intempérie, e quando acordamos, com o sol da manhã a nos beijar a fronte, nem sequer nos recordamos das angústias da noite.
Os galhos caídos na calçada, a água ainda empoçada na rua, nada, nenhum sinal é suficientemente forte para que nos lembremos do temporal que há poucas horas nos assustava tanto.
Assim ainda somos nós, criaturas humanas, presas ao momento presente.
Descrentes, a ponto de quase sucumbir diante de qualquer dificuldade, seja uma tempestade ou revés da vida, por acreditar que ela poderia nos aniquilar ou ferir irremediavelmente.
Homens de pouca fé, eis o que somos.
Há muito tempo fomos conclamados a crer no amor do pai, soberanamente justo e bom, que não permite que nada que não seja necessário e útil nos aconteça.
Mesmo assim continuamos ligados à matéria, acreditando que nossa felicidade depende apenas de tesouros que as traças roem e que o tempo deteriora.
Permanecemos sofrendo por dificuldades passageiras, como a tempestade da noite, que por mais estragos que possa fazer nos telhados e nos jardins, sempre passa e tem sua indiscutível utilidade.
Somos para Deus como crianças que ainda não se deram conta da grandiosidade do mundo e das verdades da vida.
Almas aprendizes que se assustam com trovões e relâmpagos que, nas noites escuras da vida, fazem-nos lembrar de nossa pequenez e da nossa impotência diante do todo.
Se ainda choramos de medo e não temos coragem bastante para enfrentar as realidades que não nos parecem favoráveis ou agradáveis, é porque em nossa intimidade a mensagem do cristo ainda não se fez certeza.
Nossa fé é tão insignificante que ante a menor contrariedade bradamos que Deus nos abandonou, que não há justiça.
Trata-se, porém, de uma miopia espiritual, decorrente do nosso desejo constante de ser agraciados com bênçãos que, por ora, ainda não são merecidas.
Falta-nos coragem para acreditar que Deus não erra, que esta característica não é dele, mas apenas nossa, caminhantes imperfeitos nesta rota evolutiva.
Falta-nos humildade para crer que, quando fazemos a parte que nos cabe na tarefa, tudo acontece na hora correta e de forma adequada.
As dores que nos chegam e nos tocam são oportunidades de aprendizado e de mudança para novo estágio de evolução.
Assim como a chuva, que embora nos pareça inconveniente e assustadora, em algumas ocasiões, também os problemas são indispensáveis para a purificação e renovação dos seres.
Por isso, quando tempestades pesarem fortemente sobre nossas cabeças, saibamos perceber que tudo na vida passa, assim como as chuvas, as dores, os problemas.
Tudo é fugaz e momentâneo.
Mas tudo, também, tem seu motivo e sua utilidade em nosso desenvolvimento.

Tuesday, May 16, 2006

Caminhos

Na vida é impossível parar.
Mesmo quando decidimos não avançar,
a vida avança.
E às vezes temos mesmo a impressão
que ela corre.
E nesse nosso viver,
encontramos diariamente caminhos
na nossa frente.
Em cada situação há sempre uma
opção de estrada.Escolhemos então a mais longa, mais curta,
mais fácil, mais difícil...somos guiados por vontades,
necessidades, coração, emoções...
e na verdade nem sempre sabemos onde
nos conduzirá nossa escolha.E é preciso a cada dia, cada passo,
seguir e assumir.
Ninguém, ninguém mesmo pode
ou deve ser responsável pelas nossas escolhas.
E mesmo se damos ouvidos a um amigo,
aos pais,
a escolha final e a responsabilidade
final sempre será nossa.Muitas vezes sofremos porque escolhemos
caminhos errados.
E sabemos que não há volta para
as caminhadas da vida,
mas sempre teremos a opção de dirigir
nossos passos para direções diferentes.
E então uma nova escolha se dá.
Com todos os riscos possíveis.Amar alguém, sentir amizade por alguém,
não é uma escolha.
Pelo menos não voluntária,
da nossa mente.
Do coração, eu diria, pois não temos controle,não podemos negar sentir esse amor
ou essa amizade.
Mas podemos decidir seguir esse amor
e essa amizade.
Isso também é uma escolha, caminho.O importante é não parar.
Li uma vez que "água estagnada apodrece"
e penso que ninguém gostaria de viver
como água estagnada.
Devemos ser como as águas dos rios,
correndo sempre em alguma direção,
regando flores que nascem do lado,
matando sede de pássaros e homens,
desembocando em grandes mares.
E assim segue nossa vida...Cabe a cada um a responsabilidade da escolha diária.E tudo o que posso dizer com certeza de que
não há erro possível na escolha,é aquela de seguir o grande, o verdadeiro Caminho.
Para os outros,
que a sabedoria esteja no coração
de cada um para que as escolhas estejam o maisperto possível daquilo que chamamos felicidade.

A vida é, realmente, uma caminhada surpreendente. Em cerca de uma semana, somos capazes de ver tudo mudando. É preciso, somente, estarmos com a mente "aberta" para não deixarmos passar as oportunidades.
Eu, com certeza, estou recebendo um presente que só foi possível porque me permiti experimentar e viver.
Deus abençoe este anjo que me está sendo apresentado.
Leo Drumond.

Sunday, May 14, 2006

Ser mãe
Ser mãe é ser humana
É ser gente, é ser bicho
É viver sem chegar, sem partir
Ser mãe é reconhecer o mundo através do amor profundo
É sonhar, é sorrir, é chorar
Ser mãe é descobrir a cada dia
Que a vida recomeça
É enxergar com o coração
É música, é dança, é bonança
Ser mãe é não ter sono, nem cansaço
Plantar, adubar e colher
Ser mãe é cantar a felicidade
É ser poetisa e também profeta
Ser mãe é falar o necessário
É calar, é olhar, é entender
Ser mãe é acarinhar, é ninar
É ter a sabedoria dos deuses
A paciência do tempo
É não ter contratempo
Ser mãe é ser anjo
É loucura, é aventura permanente
Ser mãe é viver cercada de amor
É o início, é o meio e jamais o fim
Ser mãe é ser assim...

Recebi esse lindo texto por scrap no orkut. Com certeza, ilustra vários dos papéis que as mães têm de realizar ao longo de suas jornadas.
Que Deus possa abençoar todas as mães. Mas, em especial, a minha amada mãe, aquela a quem chamo de ANJO.

Abraços,
Leo Drumond.

Tuesday, May 09, 2006

Que diferença faz uma estação?Um homem tinha quatro filhos. Ele queria que seus filhos aprendessem a não julgar as coisas de modo apressado, por isso, ele mandou cada um em uma viagem, para observar uma Pereira que estava plantada em um distante local.O primeiro filho foi lá no Inverno, o segundo na Primavera, o terceiro no Verão, e o quarto e mais jovem, no Outono.Quando todos eles partiram, e retornaram, ele os reuniu, e pediu que cada um descrevesse o que tinha visto.O primeiro filho disse que a árvore era feia, torta e retorcida.O segundo filho disse que não, que ela era recoberta de botões verdes, e cheia de promessas.O terceiro filho discordou; disse que ela estava coberta de flores, que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.O último filho discordou de todos eles; ele disse que a árvore estava carregada e arqueada, cheia de frutas, vida e promessas...O homem então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore...Ele falou que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, por apenas uma estação, e que a essência de quem eles são, e o prazer, a alegria e o amor que vêm daquela vida podem apenas ser medidos ao final, quando todas as estações estão completas.Se você desistir quando for Inverno, você perderá a promessa da Primavera, a beleza de seu Verão, a expectativa do Outono.

Hoje, o desanuviando a vida faz uma reflexão sobre a vida: ela é breve. Precisamos pensar na importância de cada estação e, acima de tudo, estarmos preparados para cada desafio que ela nos propõe. Hoje, dia 9 de maio, seria aniversário de uma tia. Ela fez a viagem dela há cerca de três anos. Ovos da saudade pululam pelos sentimentos de minha família. Apesar de nenhum laço sangüíneo, ela foi - e ainda o é - alguém a quem remetemos sempre que falamos de amor, companheirismo e fraternidade. Tia Wanda, amiga de minha avó, foi minha tia, avó e uma pessoa a quem eu amei o quanto pude. Sentir saudades dela é algo mais do que natural. E, por isso, deixo esta singela homenagem. Deus a tenha e a abençoe. Com certeza, ela esteve ao nosso lado quando a vida nos propunha cada uma das estações supra mencionadas. Quando o inverno chegava, convidava-nos a olhar e pensar no futuro: pois a primavera chegaria em breve. Animava-nos muitíssimo. Sim, o coração enche-se de lágrimas a pensar nela. É com alegria que o fazemos. A amamos muito e fomos muito amados por ela.
Ah, à propósito, não sei quem é o autor do texto sobre as estações. Só sei que mexeu com meu coração nesta data tão significativa.
Abraços humildes e saudosos,
Leo Drumond.

Thursday, May 04, 2006

CANÇÃO DO MENINO QUE DORME
Quente é a noite,
o vento não vem.
E o menino dorme tão bem!

Menino de rosto de tâmara,
tênue como a palha do arroz,
os bosques da noite vão tirando sonhos
de dentro de cada flor.

Águas tranqüilas, com búfalos mansos,
elefantes de arco-íris na tromba.
Pássaros que cantam nas varandas verdes
das mangueiras redondas.

Ah, os macaquinhos do tempo de Rama
constroem rendadas pontes de bambu,
menino de luz e colírio,
são de ouro e de açúcar os pavões azuis!

Passam como deusas noivas escondidas
em cortinas de seda encarnada:
em volta são grades e grades de música,
de dança, de flores, de véus de ouro e prata.

Quente é a noite,
o vento não vem.
E o menino dorme tão bem!

Oh, a monção que levanta as nuvens,
que faz explodir os trovões,
não leva os meninos de retrós e sândalo,
tênues como a palha de arroz.

MEIRELES, Cecília. In: Antologia Poética. p. 265, 3a edição, Editora Nova Fronteira.

Sonhos... o que são os sonhos?
A meu ver, os sonhos são a forma mais tênue e linda de desanuviarmos a tensão do dia-a-dia. Neles, somos capazes de tanger o intangível. Alcançar o inalcançável. Descobrir o que jamais descobriríamos com os olhos da "realidade" abertos.
Sim, os sonhos são a porta aberta à realidade que gostaríamos de vivenciar a cada instante de nossos quotidianos. E você, o que acha?
Abraços,
Leo Drumond.

Wednesday, May 03, 2006

Boa Noite!
De acordo com o Minidicionário Aurélio da Língua Portuguesa, edição de 1985, desanuviar significa: Limpar-se de nuvens, Serenar-se.
Hoje, dia 4 de maio, nasce o meu mais novo blog: Desanuviando_a_Vida que terá por objetivo serenar minha mente; limpar em minha alma todas as nuvens nicérrimas, as quais, há algum tempo, insistem em me fazer companhia... Enfim, este blog nasce com um propósito meio ousado: servir-me de um divã compartilhado com todas as internautas e todos os internautas a passarem por aqui. Muito provável será o fato de que, quiçá, espelhe-me em meu filho mais velho - infelizmente, abandonado - o http://fingindo_e_vivendo.zip.net . O Fingindo e Vivendo foi, indubitavelmente, um espaço para um crescimento deveras grandioso em meu viver. Através dele, pude conhecer pessoas que me deixaram marcas indeléveis em meu viver. De coração, desejo o mesmo ao meu mais novo filho.
Ah, claro, venham e, comigo, desanuviemos nossas vidas.
Abraços,
Leo Drumond.